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11-12-2017 - Sem reforma, todo o ganho que tivemos será perdido, diz economista
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O recente estancamento da crise econômica pode ser revertido caso uma reforma da Previdência não avance, na opinião de José Márcio de Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos. "O ganho que tivemos nesse (último) um ano e meio vai ser perdido. A economia voltou a crescer, o desemprego voltou a cair, a inflação é de 2,8% ao ano. Tudo vai ser perdido", disse.

Para ele, a reforma é uma ferramenta de redução da desigualdade no País, já que as classes mais baixas não vão sofrer com as mudanças. "Os pobres no Brasil se aposentam com 65 anos porque não conseguem contribuir por 35 anos, já que não têm um emprego formal durante todo esse período. Quem se aposenta por tempo de contribuição são os ricos." 

O grande ponto dessa reforma é acabar com privilégios de alguns grupos de trabalhadores brasileiros que são muito privilegiados. O Brasil, através do sistema de aposentadoria dos funcionários públicos, tem o maior programa de transferência de renda de pobre para rico do mundo. O déficit da previdência dos funcionários públicos nos últimos 15 anos somou R$ 1,292 trilhão. O governo federal gastou com educação algo em torno de R$ 700 bilhões nesse mesmo período. Há um milhão de pessoas no País que são aposentadas do setor público e o déficit da Previdência do setor em 2017 vai ser de R$ 78 bilhões. Isso significa que, em 2017, a sociedade vai transferir para cada aposentado do setor público R$ 78 mil. É com isso que a reforma quer acabar.

Agência Estado