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08-05-2018 - Largada para torneio empreendedor da cadeia coureiro-calçadista
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Foi dada a largada, no último sábado (5), para a segunda edição do torneio empreendedor da cadeia coureiro-calçadista FF Enterprise. Realizado na sede da Abicalçados, em Novo Hamburgo/RS, o kick off day contou com presenças de representantes das entidades promotoras da ação – Abicalçados, Assintecal, CICB e Abrameq – , além das 13 equipes selecionadas e empresários.

O evento teve a presença do presidente da Abrameq, Marlos Schmidt, e de Vinícius Fonte, gestor de projetos da entidade, que deu as boas-vindas às equipes participantes, agradecendo "por terem escolhido os nossos setores para inovar". A gestora de Projetos da Abicalçados, Roberta Ramos, ressaltou a importância do torneio para fomentar a inovação, não somente em produtos, mas em processos produtivos e modelos de negócios. O evento contou com apresentações das equipes e seus projetos, palestras sobre as demandas mais latentes da cadeia coureiro-calçadista e sobre o do case da Dobra. 
Após a apresentação das equipes e suas respectivas temáticas, a analista de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, discorreu sobre as demandas mais latentes da cadeia coureiro-calçadista nacional. No total, são mais de 40 mil indústrias que geram 900 mil postos. "A indústria setorial representa 2,1% do PIB da Indústria de Transformação. É a sexta maior indústria empregadora do Brasil, o que aponta para a importância social da mesma, como uma cadeia intensiva em mão de obra", destacou.
Recortando o setor calçadista nacional, Priscila informou que são 7,5 mil empresas que geram 300 mil postos de trabalho. Apesar de necessidade de uma maior competitividade do portão para dentro da fábrica, a analista ressaltou que o segmento vem avançando nos anos recentes. De 2000 a 2009 a média anual de produção era de 660 milhões de pares, número que passou para 915 milhões entre 2010  e 2017. A produtividade por funcionário também aumentou, passou de 7 pares diários por colaborador para 14. 
Segundo Priscila, as produtoras nacionais são muito dependentes do mercado interno, que absorve 86% da produção (de 909 milhões de pares no ano passado). "Apesar das boas condições da indústria, por outro lado, poucas recorrem à inovação. Das 39,3 mil empresas do segmento de Transformação que lançaram projetos inovadores entre 2014 e 2016, apenas 2,28 mil eram calçadistas. Além disso, muitas abandonaram projetos, Ou seja, existe um espaço para ser trabalhado nesse campo", frisou, acrescentando ainda que 98,2% desses projetos eram realizados com recursos próprios.
O evento encerrou com a apresentação do case de sucesso da Dobra, pequena empresa que criou, em 2013, as carteiras de Tyvek, um tipo de papel sintético fabricado a partir de várias fibras entrelaçadas. Hoje a marca, que começou no apartamento de um dos seus fundadores, cresce não somente com o produto inovador, mas com um modelo de negócios que leva em consideração mais o serviço do que o objeto vendido. Atualmente, a empresa que desenvolve, além das carteiras, camisetas com bolsos trocáveis e irá lançar uma linha de tênis ainda em maio, produz 300 peças por dia e foca no atendimento próximo e um modelo de gestão totalmente horizontal, sem hierarquia e com salários iguais para seus 19 colaboradores.