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06-03-2019 - Alguns se beneficiam com disputa entre EUA e China
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 A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China levou a centenas de bilhões de dólares em tarifas e interrupções no mercado global - mas nem tudo é sombrio. Samantha McDonald observa que vários países estão lucrando com o enfrentamento entre as duas maiores economias do mundo. Um estudo divulgado este mês pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento analisou as repercussões dos altos aumentos de tarifas.

O sudeste da Ásia tem sido visto como um beneficiário promissor da guerra comercial, com o Vietnã já aumentando suas exportações de calçados em um esforço para capturar parte da participação de mercado dominante da China. O país exportou quase US$ 11,8 bilhões em calçados entre janeiro e setembro do ano passado - um aumento de 10,5% em relação ao total de 2017o. Ele ocupa o segundo lugar depois da China entre as maiores fontes de calçados dos EUA, exportando 405 milhões de pares de calçados para os EUA em 2017.

Como a maior economia do Sudeste Asiático, a Indonésia também pode aproveitar um êxodo da China - o país exportou cerca de 104 milhões de pares de sapatos em 2017. Tom Lembong, presidente do Conselho de Coordenação de Investimentos do país, compartilhou há dois meses que a Indonésia poderia antecipar bilhões de dólares em investimentos de corporações que se afastam da China. "Para o Vietnã, a Indonésia, o Camboja e outros países, nos últimos 20 anos, perdemos muitas fábricas para a China", disse Lembong. "Tê-los de volta é muito positivo para nós."

Dos US$ 250 bilhões em exportações chinesas afetados por tarifas, cerca de 82% serão capturados por empresas de outros países, enquanto as chinesas retêm 12% e as norte-americanas mantêm apenas 6%, segundo a UNCTAD. Por outro lado, dos US$ 85 bilhões em exportações dos EUA sujeitos a impostos, cerca de 85% serão tomados por empresas em outros países, enquanto as empresas dos EUA mantêm menos de 10% e as empresas chinesas obtêm apenas cerca de 5%. A Unctad sugeriu que corporações na Europa, no México, no Japão e no Canadá poderiam arrecadar dezenas de bilhões de dólares em pedidos de exportação como resultado da disputa financeira prolongada. Prevê-se que os países da União Européia ocupem a maior fatia das exportações, apreendendo US$ 70 bilhões do comércio entre os EUA e a China (cerca de US $ 50 bilhões em exportações chinesas para os EUA e US $ 20 bilhões alternativamente). O México, o Japão e o Canadá receberão mais de US$ 20 bilhões, estima o relatório.

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