Notícias
22-04-2019 - Peru cresce forte mesmo após escândalo Odebrecht arrastar 4 ex-presidentes
...

 Em um cenário bem diferente do visto no Brasil, as acusações de corrupção surgidas da operação Lava Jato no Peru não parecem ter afetado de forma contundente a economia do país - uma das que mais crescem na América Latina.

 

Desdobramentos da operação em território peruano tiveram um momento marcante com o suicídio do ex-presidente Alan García, quando a polícia tentava prendê-lo. Ele era acusado de receber propina da empreiteira Odebrecht durante seu segundo mandato, entre 2006 e 2011 - o que García negava.

No entanto, mesmo com as complicações políticas trazidas pela Lava Jato desde o início de 2017, quando ela se expandiu para países vizinhos - e que levaram a acusações de corrupção contra quatro ex-presidentes - , no ano passado, a economia do país cresceu 4%, segundo o Banco Central local. Para 2019, o FMI estima uma expansão de 3,9%, ficando atrás - na América Latina - só da Bolívia, seu vizinho, com crescimento estimado de 4%. Já a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) prevê um crescimento de 3,6% neste ano. De qualquer forma, o índice é muito acima do 1,3% previsto para a região e do tímido 1,8% estimado para o Brasil.

Os números mostram que a economia peruana não saiu dos trilhos, mesmo com ramificações locais dos escândalos envolvendo obras públicas, campanhas políticas e propinas que ocorreram no Brasil.

Nesse cenário conturbado, no ano passado a economia peruana completou vinte anos consecutivos de crescimento e estabilidade, como observaram analistas e fontes do governo ouvidos pela BBC News Brasil. Ou seja, a queda do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que foi substituído, no ano passado, pelo seu vice, Martín Vizcarra, também não teve impacto significativo sobre a saúde da economia.

Entrevistados apontaram como uma das razões para a trajetória de crescimento o fato de que Toledo, García, Humala e Kuczynski terem mantido os principais pilares econômicos do país: abertura do mercado, ambiente de previsibilidade para investimentos estrangeiros, livre comércio, inflação e gastos baixos.

Outra chave para a estabilidade estaria no comércio exterior.

País com cerca de 32 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 211 bilhões, segundo dados oficiais, o Peru diversificou sua lista de exportações nos últimos anos.

Além do seu histórico setor da mineração, passou a exportar ouro, incrementado por empresas chinesas instaladas em seu território, e produtos do ramo agroindustrial - o Peru é hoje um dos maiores exportadores mundiais de abacate, aspargos e uvas.

 

BBC Brasil