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23-04-2019 - Polo de calçados de PVC, Cariri perde empresas e empregos
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 Maior produtor calçadista em volume de pares do país, o polo do Cariri, no sertão do Ceará, encolheu. Somada ao aumento da concorrência com produção em de Nova Serrana (MG), a crise econômica ocasionou uma onda de fechamento de empresas e empregos na região, que nas últimas décadas se especializou nos chamados "calçados injetados" - sandálias e chinelos de PVC, principalmente.

A região, que engloba 25 municípios e tinha 174 empresas em 2014, encerrou o ano de 2017 com 143 empreendimentos, segundo dado mais recente disponibilizado pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). No mesmo período, o número de empregados no setor caiu de 9 mil para 5,4 mil. O recuo, de 40%, é bem superior ao que ocorreu no mesmo período no setor calçadista no Brasil, onde o total de postos de trabalho caiu 10,6%. A queda chega a mais de 12% se o ano de 2018 for incluído na conta.

O encolhimento do setor calçadista na região do Cariri é retrato do que ocorreu com toda essa indústria no Ceará. Entre 2014 e 2018, o setor perdeu 43% do seu faturamento - cerca de R$ 1,5 bilhão - e somou vendas de R$ 3,5 bilhões no Estado no ano passado, segundo o Observatório da Indústria.

No Cariri, em particular, a queda em ritmo acelerado pode ser explicada pela redução do poder aquisitivo das classes C, D e E, público que é atendido pelas empresas da região, durante a crise. Não bastasse a economia fraca, o polo enfrenta uma concorrência cada vez mais forte, que vem da região de Nova Serrana, em Minas Gerais, onde há uma crescente produção calçadista caracterizada pela informalidade. "A concorrência é desleal. Para nós, além de queda, é coice", diz o empresário Altemir Sebastião Melo Rocha (foto), dono da Terramaris, uma das uma das mais estruturadas empresas da região do Cariri.

Na semana passada, Rocha deu férias forçadas por 15 dias a todos os seus 230 funcionários, devido à falta de encomendas. "Não há mais gordura para queimar. O próximo passo será demissão. São cinco anos de dificuldade, três de prejuízo no nosso caso", conta. Antes das férias, a Terramaris estava fazendo 7 mil pares de calçados por dia, menos da metade do que fabricava antes de 2014.
Os empresários do Cariri relatam que, no fim do ano passado, houve uma onda de otimismo grande no varejo, com a expectativa de que o novo governo promoveria uma injeção de ânimo na economia. Mas, até agora, essa crença não se confirmou e os lojistas, com estoques elevados, suspenderam as compras no primeiro semestre.

Valor Econômico