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11-11-2019 - Exportações de calçados sentem impacto da guerra comercial
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Influenciadas pela guerra comercial instalada entre as duas maiores potências mundiais, Estados Unidos e China, as exportações brasileiras de calçados caíram no mês de outubro. Dados elaborados pela Abicalçados apontam que, no mês passado, os calçadistas embarcaram 10 milhões de pares que geraram US$ 80,57 milhões, quedas de 14% na receita e de 8,3% no volume em relação ao mesmo mês de 2018. Com isso, as exportações somaram US$ 798,87 milhões e 93,35 milhões de pares no acumulado dos dez meses, incrementos de 0,6% e de 4%, respectivamente, no comparativo com igual período do ano passado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, avalia que, embora as exportações para os Estados Unidos tenham seguido a trajetória de elevação, como resultado da imposição de tarifas de importação locais para calçados chineses, por outro lado o produto brasileiro perdeu mercado em outros clientes internacionais importantes e que foram alvo da "desova" dos produtos asiáticos. "Apesar de os dois países estarem na mesa de negociação para por fim ao impasse, o mundo ainda sente os efeitos da guerra comercial, especialmente pela recente desvalorização artificial do Yuan (moeda chinesa), que tornou o produto chinês ainda mais competitivo. Além disso, no acumulado do ano, as exportações chinesas de calçados para os Estados Unidos caíram 3%, ou seja, mais de US$ 260 milhões em produtos que precisaram ser realocados em outros mercados ao redor do mundo", explica o dirigente. 
Além do impacto da guerra comercial, Ferreira destaca a sequência da crise argentina e os ajustes do câmbio, este último que fez com que o preço médio do calçado brasileiro caísse 24% nos últimos três meses, de US$ 10,60 para US$ 8. "Ou seja, os exportadores puderam baixar o preço médio, em dólar, sem perder a rentabilidade. O fato, na estatística, pesa na queda dos valores gerados pelos embarques", avalia. 

Comunicação da Abicalçados