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01-04-2020 - OMC, FAO e OMS saemOMC, FAO e OMS saem em defesa da exportação em defesa da exportação
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Os chefes da Organização Mundial do Comércio (OMC), da agência da ONU para agricultura e alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) uniram forças ontem para alertar contra restrições às exportações de alimentos e para tentar evitar compras desencadeadas pelo pânico ("panic buying") de que poderá faltar comida.


Em meio ao confinamento para combater a pandemia de coronavírus em diversos países, a incerteza sobre a disponibilidade de alimentos pode levar a um aumento de barreiras às vendas e criar escassez no mercado global, dizem os chefes das três grandes organizações internacionais. Eles advertem que essas reações podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda, resultando em picos de preços e maior volatilidade.


Vários países passaram a frear exportações de produtos agropecuários nas últimas semanas, como Rússia, Ucrânia, Cazaquistão e Vietnã. Paralelamente, a Europa fechou mais as suas fronteiras, impedindo milhares de trabalhadores temporários estrangeiros de entrarem no continente para trabalhar na colheita de produtos agrícolas.


Assim, na Grã Bretanha, por exemplo, os produtores tentam encontrar pessoas para colher batata e framboesas. Na Alemanha, aspargos brancos podem acabar encalhados, enquanto na Itália morango e alface não resistirão nos campos se não forem colhidos.


No comunicado que divulgaram, Qu Dongyu, da FAO, Tedros Adhanom Ghebreyesus, da OMS, e Roberto Azevêdo, da OMC, observam que milhões de pessoas em todo o mundo dependem do comércio internacional para sua segurança alimentar e para garantir meios de subsistência. E que, na medida que os países adotam medidas para interromper a pandemia de covid-19, devem tomar cuidado para "minimizar possíveis impactos no suprimento de alimentos ou consequências não intencionais no comércio e na segurança alimentar globais".


Eles afirmam que, ao agir para proteger a saúde e o bem-estar de seus cidadãos, os países devem garantir que quaisquer medidas relacionadas ao comércio não perturbem a cadeia de suprimento de alimentos. Interrupções, inclusive dificultando a circulação de trabalhadores da agricultura e prolongando os atrasos nas fronteiras de produtos perecíveis, resultam no aumento do desperdício de alimentos.


Valor Econômico