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07-11-2020 - Produção brasileira de calçados deve cair mais de 25% em 2020
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Jogar luz no quadro, por mais nebuloso que ele seja. Essa foi a missão do Análise de Cenários, evento realizado dia 5 pela Abicalçados, com o apoio de sindicatos do setor calçadista e patrocínio da Blu. A terceira edição do ano foi on-line e conduzida pelo doutor em Economia, Marcos Lélis, e pela coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck.

 
Segundo Lélis, a China sairá antes da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, mudando a configuração da economia internacional. "A China já está do mesmo tamanho pré-pandemia, crescendo há dois trimestres seguidos. Sairá mais fortalecida que os demais países", disse, ressaltando que o Tigre Asiático deve crescer 2% em 2020 e 8,2% em 2021, enquanto a economia mundial deve ter queda de 4,4% neste ano e um crescimento de 5,2% em 2021.
No Brasil, Lélis destacou o impacto do fim do auxílio emergencial, que deve ocorrer no início do próximo ano. Além disso, o problema do rombo nas contas públicas e a pressão sobre o câmbio, que vem alimentando um processo inflacionário crescente também preocupam, não somente para 2020, mas para o próximo ano, pois "vai sobrar menos renda para consumir bens não essenciais, caso do calçado".
 
Com uma queda produtiva de 30,9% entre janeiro e setembro, o setor calçadista vem experimentando uma recuperação nos últimos meses do ano, mas deve terminar o período 25% menor do que 2019. Priscila explica que a queda dos nove meses equivale a 208 milhões de pares a menos, como se o setor tivesse ficado quase três meses inativo. Segundo Priscila, pesou para o quadro os efeitos da pandemia, especialmente no mercado doméstico, que absorve mais de 85% da produção de calçados. "Assim como na economia em geral, os auxílios governamentais tiveram um impacto muito forte no comportamento do setor, de quase 30% sobre os crescimentos mensais, desde maio. Se não fosse esse impacto, estaríamos 36,8% abaixo dos resultados de janeiro e não 24,3% como estamos", informou a coordenadora.
 
As melhoras tanto no comércio doméstico quanto internacional têm auxiliado o incremento da utilização da capacidade instalada da indústria de calçados, hoje em 62%. Em junho, ápice da crise, a utilização chegou a pouco mais de 30%. O impacto negativo no emprego também arrefeceu, embora o setor ainda tenha 14% menos mão de obra empregada do que em 2019. Desde o início do ano até setembro foram perdidos 25,8 mil postos. Por outro lado, Priscila destacou a recuperação no nível de empregos nos últimos meses. Entre julho e setembro foram criados quase 19 mil postos de trabalho, fechando o mês nove com 243 mil pessoas empregadas diretamente no setor.
Priscila destacou, ainda, o fato de que a produção brasileira de calçados caiu mais do que nos principais concorrentes. Na China, a queda até agosto ficou em 16%, na Índia 28,4% e no Vietnã 4,8%, enquanto no Brasil até o mês oito a queda foi de 34,8%. "A concorrência irá acirrar em 2021, visto que estes países, ainda que com queda acumulada no ano, já retornaram aos níveis mensais de produção pré-pandemia", alertou.
 
Comunicação da Abicalçados