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03-02-2021 - Avanço da agenda de reformas é peça chave para fortalecimento do real
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A definição da presidência do Congresso, crucial para o progresso da agenda liberal do governo, a perspectiva de alta da Selic, mais provável após a última reunião do Copom, e o cenário externo, francamente a favor da queda do dólar, formam um ambiente positivo para a apreciação do real em 2021. Mas o movimento de valorização cambial só deve se concretizar à medida que a pauta de reformas de fato avançar no Brasil, reduzindo a percepção cautelosa dos agentes sobre as contas públicas, dizem analistas ouvidos pelo Valor.

 

 

"Há um bom espaço para o real se valorizar daqui para frente, mas isso depende de avanços concretos na agenda de reformas, já que o risco fiscal é bastante elevado", diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho. Em seus cálculos, o real se encontra atualmente 11% subvalorizado em relação à média de uma cesta de moedas emergentes, o que dá margem para a apreciação da divisa, a depender de progresso na pauta liberal.

 

O estrategista avalia que permanecem incertezas relacionadas à articulação entre Executivo e Legislativo na consolidação dessa agenda. Ele repara que o primeiro trimestre será desafiador para a economia e poderá afetar o câmbio e outros ativos locais, uma vez que a atividade deve desacelerar e a inflação alcançará altos patamares. "Isso elevará a pressão por gastos públicos e, conseqüentemente, vai ser demandada uma grande convicção do governo sobre a necessidade de ajuste fiscal."

 

Valor Econômico