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27-02-2021 - Mercado fornecedor está vendo de forma positiva saída de Castello Branco, diz Abimaq
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O presidente Jair Bolsonaro anunciou a mudança na presidência da Petrobras após aumentos sucessivos no preço do combustível. A troca, segundo o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, vem sendo considerada positiva pelos fornecedores, visto que, na avaliação da associação, Castello Branco cometeu alguns erros que resultou aumento no preço do combustível.

 
Velloso destacou que o aumento impacta não apenas a indústria como também diversos outros setores da economia, assim como empresas e trabalhadores. De acordo com ele, um dos principais erros cometidos por Branco vem sendo a política de desinvestimento da companhia, que deixou de ser uma indústria produtora de combustível e passou a importar produtos derivados. Para ele, o investimento em refino agregaria mais valor a um bem primário como é o caso do petróleo. "Sem contar que ainda vendeu barato a área de distribuição", pontuou.
 
Outro aspecto diz respeito ao monopólio da Petrobras. Segundo ele, sem concorrência a companhia decide sobre a precificação de forma unilateral, o que significa que ela não segue necessariamente o mercado internacional. Além disso, ele lembrou que por ser uma estatal a companhia recebe um benefício especial, o Repetro, que corresponde a R$ 15 bilhões/ao aos cofres da União.
Apesar disso, quando ocorre aumento do dólar e do preço do petróleo, automaticamente a estatal repassa ao consumidor. "A conta do repasse deveria ser diferente, por exemplo, o que se gastou com a importação menos o que ganhou com a exportação de petróleo cru, que vem sendo muito positivo", afirmou Velloso.
De acordo com ele ainda, outro erro cometido por Branco foi ter aumentado o risco da companhia com o uso de moedas diferentes para receitas e despesas, ou seja, importando derivados em dólar e exportando petróleo em real. Além disso, ele destacou o desinvestimento em tecnologia que, no passado, já foi uma das prioridades da empresa. Ele afirmou que, embora esse desinvestimento não tenha começado durante a gestão de Branco, ao longo dos anos os centros de estudos e tecnologia da companhia foram perdendo espaço, o que fez a empresa ficar cada vez mais dependente de tecnologia de fora.
O vice-presidente do Sindicado Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Sérgio Bacci, considera o rodízio no comando da Petrobras positivo. Além disso, ao indicar um presidente com viés mais nacionalista, o presidente do país cria uma boa perspectiva para a indústria naval. "Esperamos que essa possibilidade se transforme em empregos no Brasil", pontuou.
Bacci avalia que o presidente da companhia precise ser um ator que olhe não apenas pelos interesses dos investidores privados, mas também pelo interesse do "acionista majoritário" que é a população brasileira. A ideia é que se crie possibilidade de gerar emprego e renda com políticas de aquisições mais equilibradas.
 
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